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terça-feira, 4 de maio de 2010

Recantos de tranquilidade

Sou um homem da cidade, nasci nela e aprendi a seguir conforme o seu ritmo. Caminho pelas ruas do centro cheias de carros, de gente ocupada, trabalhando nas lojas e calçadas; gosto de ver os prédios novos serem construídos e de sentir que faço parte desse movimento intenso da Guarulhos que se renova.

Mas há certos momentos em que é preciso um pouco de sossego, de calma para retomar o fôlego e continuar o itinerário: escolho um banco vazio debaixo das árvores na Praça Getúlio Vargas ou na Praça do Rosário; acompanhado de um bom livro, do jornal ou de uma revista, me desloco da correria diária. O som dos carros diminui, e também parece diminuir o ritmo do meu dia.

Mesmo quando o compromisso não permite e atravesso a praça com passos apressados, tenho a certeza de que, numa próxima ocasião, poderei contar com um desses lugares da cidade, os quais carinhosamente chamo de “recantos de tranquilidade” e tirar o tempo de que preciso.



Vídeo produzido pelo Canal Guarulhos, a partir da crônica acima:






Preciso agradecer a minha amiga Paty (http://fertilidaderacional.blogspot.com/), por ter explicado a proposta e me convidado a participar deste projeto da Secretaria de Comunicação de Guarulhos. Obrigado Paty!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Leitura, escrita e linguagem

            A realidade que nos rodeia apresenta-se como um texto infinito, e não acho exagero dizer que esta realidade é equivalente a uma grande leitura da qual fazemos parte tanto como emissores quanto receptores.

            Praticamos o ato da leitura durante toda a nossa vida, a cada instante e segundo; me arrisco a dizer que lemos mesmo antes de nos darmos conta de quem somos ou que somos. Na maior parte do tempo não temos controle de nossas leituras: lemos consciente e inconscientemente tudo aquilo que nossos cinco sentidos “passam os olhos”, ainda que estejamos cansados de ler; lemos gestos, lemos toques, lemos o cheiro de comida fresca recém-preparada... E como se o mundo não fosse um texto grande o suficiente, reservamos tempo para lermos as palavras imortalizadas no papel. Eu leio, inclusive, enquanto escrevo este trecho e tenho de revisar o conteúdo (textual) de minha memória.

            Será injusto dizer que a escrita é menos importante neste “mundo-texto”, seja com palavras ou sem o auxílio delas. Escrevemos enquanto contamos histórias aos amigos ou quando alertamos alguém de algum perigo iminente. Cuidado àqueles que pensam em escritores enfurnados em torres de marfim ou como seres detentores de um conhecimento especial, pois organizamos e escrevemos histórias de nossa própria autoria numa simples conversa, numa piada ou conto qualquer, só não nos damos ao trabalho de imortalizá-las. Alguns de nossos textos são mesmo impossíveis de serem imortalizados em folhas de papel, como quando mandamos aquele beijo sem dizer palavra, por causa do barulho da rua ou de sua distância, que a nós separa; como quando tocamos levemente o braço de alguém desejado, alguém que nos foi proibido falar; ou ainda aquela piscada sacana no silêncio de um salão. Essas histórias são tão belas quanto qualquer livro, porque são contadas no calor da espontaneidade, e não são palavras esfriadas pelo tempo.

            No entanto, é notável a beleza e a riqueza de nossa Língua Portuguesa – portuguesa só no nome, mas que abarca sutilezas de várias nações. Mas, mesmo assim, ela é limitada, e para isso fazemos uso, muitas vezes, da linguagem não-verbal, que é canal universal quando o assunto é comunicar-se; é a ela que recorremos quando as palavras não são suficientes, e não há nada melhor para começar um texto como um aperto de mão.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Os fins e os meios

Agora que voltei a frenquentar a escola por conta dos estágios da faculdade, o assunto da vez é a H1N1, mas popularmente chamada de gripe suína. Ao invés de ficar alarmado com o quadro, jovem pós-moderno que sou, preferi procurar oportunidades financeiras com o surgimento da nova doença, e não há mercado mais lucrativo que o mercado bélico.

Como muitos sabem, é uma prática comum insurgentes de facções islâmicas se utilizarem de homens-bombas para atacarem alvos como embaixadas americanas, aglomerações de judeus, etc. Mas é sempre uma dor quando a família desses soldados os veem deixarem suas casas com o uniforme de trabalho, pois o retorno é impraticável; sem contar que a perda de um soldado é sempre ruim para qualquer exército.

Pensando nisso, resolvi declarar que a prática suicida ficou obsoleta; sai de cena o homem-bomba ultrapassado, entra em cena o homem-bomba-biológica! Um soldado portator do vírus H1N1, sozinho, que pode atingir muito mais alvos e passar despercebido por tropas inimigas; ele se beneficia da infraestrutura destruída de países do Oriente Médio; conta com o elemento surpreza: pois a última coisa que um judeu vai pensar na sua vida é chegar perto de um porco (os judeus encaram o porco como um animal impuro), assim o muçulmano pode infiltrar-se no meio da população judia e disseminar a doença.

Como vocês podem perceber, os tempos são de crise apenas para aqueles que não enxergam as vantagens, para quem não explora as oportunidades. Sugiro ao presidente Lula, líder de um país emergente e que espera prosperar dentro do cenário mundial, não deixar de aproveitar esta chance de entrar para a indústria bélica. Os protótipos poderão ser facilmente encontrados em salas de aula abafadas, com mais de quarenta alunos cada, das escolas brasileiras - o que também ajuda a diminuir os gastos com educação, que é um peso ao país.



A foto de ilustração é de outro blog - acho que dá pra perceber:



terça-feira, 30 de junho de 2009

Falar ou ladrar

Há quase um mês, vi pela televisão a notícia de uma menina russa que fora criada pelo pai e pela avó como um bicho de estimação. Após a denúncia da mãe, que dizia que sua filha havia sido sequestrada pelo pai da criança, policiais fizeram busca pela casa da avó, onde encontraram a menina vivendo em um quarto junto dos animais da casa. Segundo os policiais russos, a jovem era mantida trancada, e, quando a soltaram, ela pulava em suas pernas e latia.

O caso da jovem de cinco anos me fez pensar sobre o poder do convívio familiar em nossa percepção de mundo, convívio que, se não nos moldam, influenciam demasiadamente em nossa formação como indivíduos. É óbvio que a jovem russa, cujo nome eu não consegui encontrar em lugar nenhum, é uma exceção: ela foi condicionada desde muito cedo a acreditar que fazia parte da espécie canina, e não duvido que os cães deram-lhe mais carinho que a própria família. Me refiro à herança negativa deixada por pais a seus filhos, os quais, por sua vez, poderão descarregá-la na futura geração. Uma família cristã, por exemplo, ao ouvir falar que um muçulmano é casado com mais de uma mulher, irá dizer ao filho “que absurdo!”; esta pessoa – novamente -, por condicionamento, realmente acreditará que a poligamia é um pecado, se apenas observar pelo lado “ocidental” da coisa, e talvez nunca se imagine na possibilidade de ter nascido no oriente, curvando-se por Alá todos os dias, em direção à Meca. Este exemplo, particularmente religioso, pode ser estendido à diferença da cor, classe, profissão; e até mesmo a coisas aparentemente simples como o time de futebol a que torce. Temos aí a raiz do preconceito.

O ambiente familiar tem – e com muita eficiência – a capacidade de definir a mentalidade de uma pessoa, mas, como toda instituição, a família não é infalível. Por outro lado – ainda bem que há outro lado! –, temos condição e obrigação de refletirmos as (in)verdades que nos foram ditas quando tivermos condição para fazê-lo, ainda que a fonte dessas (in)verdades seja um reduto tão importante quanto a família. O que não se pode fazer é aceitar o que lhe é dito sem mesmo filtrá-lo, e latir asneiras por aí. E isso vale para o mundo de informações que nos perpassa durante toda a vida; porque, diferente da garotinha russa, precisamos notar a diferença entre falar e ladrar.