LIÇÕES INACABADAS
Espelho: retrato em movimento
Difícil: é não ser flor no jardim
Impossível: é fugir de si mesmo
Números são canções
ao ouvido do matemático,
como são refrões
carícias ao surdo
Uma palavra basta à pena.
DANILO ZAMAI - 30/10/2009
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
OlhOs
Os ÓculOs pOr trás dOs OlhOs
sãO lentes prOjetadas prO interiOr,
cOmO OvOs que chOcam aO cOntráriO
encascam, nãO rarO, um halO,
O SOl e um sOl de sOlidãO
Um dOs OlhOs, telescÓpiO,
vOa lOnge, se tOrna Lua da Lua;
um dOs OlhOs, micrOscÓpiO,
viaja dentrO dum cOpO,
faz dO mais ínfimO íntimO
prOpOrçÕes astrOnÔmicas
de um asterÓide que cOlide
cOntra um glÓbulO brancO.
Age assim por ter ossos
do ofício tão próximos
de um coração de mãe.
Sonha a noite com um eremita
feliz por não ter olhos nem chão,
sente a vida escorrer pelos dedos dos pés
nas areias da escuridão.
DANILO ZAMAI - 04/11/2009
Os ÓculOs pOr trás dOs OlhOs
sãO lentes prOjetadas prO interiOr,
cOmO OvOs que chOcam aO cOntráriO
encascam, nãO rarO, um halO,
O SOl e um sOl de sOlidãO
Um dOs OlhOs, telescÓpiO,
vOa lOnge, se tOrna Lua da Lua;
um dOs OlhOs, micrOscÓpiO,
viaja dentrO dum cOpO,
faz dO mais ínfimO íntimO
prOpOrçÕes astrOnÔmicas
de um asterÓide que cOlide
cOntra um glÓbulO brancO.
Age assim por ter ossos
do ofício tão próximos
de um coração de mãe.
Sonha a noite com um eremita
feliz por não ter olhos nem chão,
sente a vida escorrer pelos dedos dos pés
nas areias da escuridão.
DANILO ZAMAI - 04/11/2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
CIDADE REFLETIDA
A cidade é uma marca conhecida,
com calçadas para o céu...
No meu bairro vejo o Zé,
vejo o Chico e a Marina
Na cidade vejo o Ford,
reconhecido, aperta o passo
o mais que pode;
vejo o Nokia e vejo a Prada
exigentes de atenção
Todos, vizinhos de porta,
e estrangeiros de amizade.
Os prédios são colossos Narcisos,
incansáveis de si mesmos.
DANILO ZAMAI - 22/10/2009
A cidade é uma marca conhecida,
com calçadas para o céu...
No meu bairro vejo o Zé,
vejo o Chico e a Marina
Na cidade vejo o Ford,
reconhecido, aperta o passo
o mais que pode;
vejo o Nokia e vejo a Prada
exigentes de atenção
Todos, vizinhos de porta,
e estrangeiros de amizade.
Os prédios são colossos Narcisos,
incansáveis de si mesmos.
DANILO ZAMAI - 22/10/2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
CORPO DE VIDRO
Pó
forjado em laços quentes,
resfriado em água abrupta
A luz atravessa e não repousa
- transparência não traduzida em virtude -;
sua sombra deita as cores da passagem,
trombetas de estiagem,
trote do cavalo morte.
A pele trincada fere as mãos
que oferecem carinho,
e se afasta do caminho,
pelas linhas intrincadas que escolheu
Desgastado e corrompido,
despedaça,
e antecipa seu retorno ao
pó.
DANILO ZAMAI - 30/08/2009
Pó
forjado em laços quentes,
resfriado em água abrupta
A luz atravessa e não repousa
- transparência não traduzida em virtude -;
sua sombra deita as cores da passagem,
trombetas de estiagem,
trote do cavalo morte.
A pele trincada fere as mãos
que oferecem carinho,
e se afasta do caminho,
pelas linhas intrincadas que escolheu
Desgastado e corrompido,
despedaça,
e antecipa seu retorno ao
pó.
DANILO ZAMAI - 30/08/2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
AQUÁDROMO
O tempo estaciona
na manhã estática:
antes que o sonho descortine
imagens com arritmia
no verso da pupila,
um projetista sem pé nem cabeça
pra perceber que ainda tenho
um olho lúcido,
roda o filme.
Que minha futura ex-mulher
pense em mim como um travesseiro
pra mantê-la de pé,
e minha casa seja
da porta pra fora,
com um navio na garagem
e um jardim murado de mares.
Anseio um mundo de ideias atrapalhadas,
onde o mudo fala,
as mulheres comem homens,
ricos doam a última gota de fraternidade...
As flores exalam cantos de pássaros,
as noites chovem raios de sol,
que janelam poemas
tateados à meia luz,
pontuados por pedaços de chocolate devorados...
Não me lembro de algo tão contrário
quanto um sonho acordado
Quadro pintado com tintas vivas,
espremido, transborda
pelas bordas do aquário:
palavras nadam.
DANILO ZAMAI - 23/09/2009
O tempo estaciona
na manhã estática:
antes que o sonho descortine
imagens com arritmia
no verso da pupila,
um projetista sem pé nem cabeça
pra perceber que ainda tenho
um olho lúcido,
roda o filme.
Que minha futura ex-mulher
pense em mim como um travesseiro
pra mantê-la de pé,
e minha casa seja
da porta pra fora,
com um navio na garagem
e um jardim murado de mares.
Anseio um mundo de ideias atrapalhadas,
onde o mudo fala,
as mulheres comem homens,
ricos doam a última gota de fraternidade...
As flores exalam cantos de pássaros,
as noites chovem raios de sol,
que janelam poemas
tateados à meia luz,
pontuados por pedaços de chocolate devorados...
Não me lembro de algo tão contrário
quanto um sonho acordado
Quadro pintado com tintas vivas,
espremido, transborda
pelas bordas do aquário:
palavras nadam.
DANILO ZAMAI - 23/09/2009
domingo, 30 de agosto de 2009
ENTRE CACOS, AOS CACOS
Com os pés descalços,
o gosto do chão frio
é interrompido pela farpa aguda;
rompida a pele, faz morada na carne;
alojada no cerne, faz morada na alma
O caminho é pontilhado de lascas,
a carne é fraca,
e a dor recente é a pior;
mas é vão evitá-las,
pois mesmo dor, são pedras que encaixam
no corpo frágil qual vidro,
e o rosto liso
não conta história como os trincos
- trincos que são brincos da alma.
DANILO ZAMAI - 18/08/2009
Primeiro poema finalizado da série "Casa dos Espelhos".
Com os pés descalços,
o gosto do chão frio
é interrompido pela farpa aguda;
rompida a pele, faz morada na carne;
alojada no cerne, faz morada na alma
O caminho é pontilhado de lascas,
a carne é fraca,
e a dor recente é a pior;
mas é vão evitá-las,
pois mesmo dor, são pedras que encaixam
no corpo frágil qual vidro,
e o rosto liso
não conta história como os trincos
- trincos que são brincos da alma.
DANILO ZAMAI - 18/08/2009
Primeiro poema finalizado da série "Casa dos Espelhos".
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