CIDADE REFLETIDA
A cidade é uma marca conhecida,
com calçadas para o céu...
No meu bairro vejo o Zé,
vejo o Chico e a Marina
Na cidade vejo o Ford,
reconhecido, aperta o passo
o mais que pode;
vejo o Nokia e vejo a Prada
exigentes de atenção
Todos, vizinhos de porta,
e estrangeiros de amizade.
Os prédios são colossos Narcisos,
incansáveis de si mesmos.
DANILO ZAMAI - 22/10/2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
LINHA DÁ VIDA
Preciso agradecer ao Caio por ter me ajudado a colocar no papel minhas ideias de poemas visuais, já que ainda não aprendi a utilizar o Corel (na verdade não consegui nem mesmo baixar o programa, exceto versões para teste), e isto ainda pode levar algum tempo. Ele ainda foi além: com seus conhecimentos de design, bolou uma fonte muito boa para o título, que casou muito bem com o tema. Posso dizer que este poema também é dele (e o blog também, afinal ele fez o banner do MULTIFACETADO)! Preciso encontrá-lo para acertar alguns pequenos detalhes sobre a formatação do poema, mas o resultado final é praticamente este que está aqui...
Clique na imagem para ler o texto:

DANILO ZAMAI - 13/10/2009
Clique na imagem para ler o texto:
DANILO ZAMAI - 13/10/2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
CORPO DE VIDRO
Pó
forjado em laços quentes,
resfriado em água abrupta
A luz atravessa e não repousa
- transparência não traduzida em virtude -;
sua sombra deita as cores da passagem,
trombetas de estiagem,
trote do cavalo morte.
A pele trincada fere as mãos
que oferecem carinho,
e se afasta do caminho,
pelas linhas intrincadas que escolheu
Desgastado e corrompido,
despedaça,
e antecipa seu retorno ao
pó.
DANILO ZAMAI - 30/08/2009
Pó
forjado em laços quentes,
resfriado em água abrupta
A luz atravessa e não repousa
- transparência não traduzida em virtude -;
sua sombra deita as cores da passagem,
trombetas de estiagem,
trote do cavalo morte.
A pele trincada fere as mãos
que oferecem carinho,
e se afasta do caminho,
pelas linhas intrincadas que escolheu
Desgastado e corrompido,
despedaça,
e antecipa seu retorno ao
pó.
DANILO ZAMAI - 30/08/2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
AQUÁDROMO
O tempo estaciona
na manhã estática:
antes que o sonho descortine
imagens com arritmia
no verso da pupila,
um projetista sem pé nem cabeça
pra perceber que ainda tenho
um olho lúcido,
roda o filme.
Que minha futura ex-mulher
pense em mim como um travesseiro
pra mantê-la de pé,
e minha casa seja
da porta pra fora,
com um navio na garagem
e um jardim murado de mares.
Anseio um mundo de ideias atrapalhadas,
onde o mudo fala,
as mulheres comem homens,
ricos doam a última gota de fraternidade...
As flores exalam cantos de pássaros,
as noites chovem raios de sol,
que janelam poemas
tateados à meia luz,
pontuados por pedaços de chocolate devorados...
Não me lembro de algo tão contrário
quanto um sonho acordado
Quadro pintado com tintas vivas,
espremido, transborda
pelas bordas do aquário:
palavras nadam.
DANILO ZAMAI - 23/09/2009
O tempo estaciona
na manhã estática:
antes que o sonho descortine
imagens com arritmia
no verso da pupila,
um projetista sem pé nem cabeça
pra perceber que ainda tenho
um olho lúcido,
roda o filme.
Que minha futura ex-mulher
pense em mim como um travesseiro
pra mantê-la de pé,
e minha casa seja
da porta pra fora,
com um navio na garagem
e um jardim murado de mares.
Anseio um mundo de ideias atrapalhadas,
onde o mudo fala,
as mulheres comem homens,
ricos doam a última gota de fraternidade...
As flores exalam cantos de pássaros,
as noites chovem raios de sol,
que janelam poemas
tateados à meia luz,
pontuados por pedaços de chocolate devorados...
Não me lembro de algo tão contrário
quanto um sonho acordado
Quadro pintado com tintas vivas,
espremido, transborda
pelas bordas do aquário:
palavras nadam.
DANILO ZAMAI - 23/09/2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Leitura, escrita e linguagem
A realidade que nos rodeia apresenta-se como um texto infinito, e não acho exagero dizer que esta realidade é equivalente a uma grande leitura da qual fazemos parte tanto como emissores quanto receptores.
Praticamos o ato da leitura durante toda a nossa vida, a cada instante e segundo; me arrisco a dizer que lemos mesmo antes de nos darmos conta de quem somos ou que somos. Na maior parte do tempo não temos controle de nossas leituras: lemos consciente e inconscientemente tudo aquilo que nossos cinco sentidos “passam os olhos”, ainda que estejamos cansados de ler; lemos gestos, lemos toques, lemos o cheiro de comida fresca recém-preparada... E como se o mundo não fosse um texto grande o suficiente, reservamos tempo para lermos as palavras imortalizadas no papel. Eu leio, inclusive, enquanto escrevo este trecho e tenho de revisar o conteúdo (textual) de minha memória.
Será injusto dizer que a escrita é menos importante neste “mundo-texto”, seja com palavras ou sem o auxílio delas. Escrevemos enquanto contamos histórias aos amigos ou quando alertamos alguém de algum perigo iminente. Cuidado àqueles que pensam em escritores enfurnados em torres de marfim ou como seres detentores de um conhecimento especial, pois organizamos e escrevemos histórias de nossa própria autoria numa simples conversa, numa piada ou conto qualquer, só não nos damos ao trabalho de imortalizá-las. Alguns de nossos textos são mesmo impossíveis de serem imortalizados em folhas de papel, como quando mandamos aquele beijo sem dizer palavra, por causa do barulho da rua ou de sua distância, que a nós separa; como quando tocamos levemente o braço de alguém desejado, alguém que nos foi proibido falar; ou ainda aquela piscada sacana no silêncio de um salão. Essas histórias são tão belas quanto qualquer livro, porque são contadas no calor da espontaneidade, e não são palavras esfriadas pelo tempo.
No entanto, é notável a beleza e a riqueza de nossa Língua Portuguesa – portuguesa só no nome, mas que abarca sutilezas de várias nações. Mas, mesmo assim, ela é limitada, e para isso fazemos uso, muitas vezes, da linguagem não-verbal, que é canal universal quando o assunto é comunicar-se; é a ela que recorremos quando as palavras não são suficientes, e não há nada melhor para começar um texto como um aperto de mão.
domingo, 30 de agosto de 2009
ENTRE CACOS, AOS CACOS
Com os pés descalços,
o gosto do chão frio
é interrompido pela farpa aguda;
rompida a pele, faz morada na carne;
alojada no cerne, faz morada na alma
O caminho é pontilhado de lascas,
a carne é fraca,
e a dor recente é a pior;
mas é vão evitá-las,
pois mesmo dor, são pedras que encaixam
no corpo frágil qual vidro,
e o rosto liso
não conta história como os trincos
- trincos que são brincos da alma.
DANILO ZAMAI - 18/08/2009
Primeiro poema finalizado da série "Casa dos Espelhos".
Com os pés descalços,
o gosto do chão frio
é interrompido pela farpa aguda;
rompida a pele, faz morada na carne;
alojada no cerne, faz morada na alma
O caminho é pontilhado de lascas,
a carne é fraca,
e a dor recente é a pior;
mas é vão evitá-las,
pois mesmo dor, são pedras que encaixam
no corpo frágil qual vidro,
e o rosto liso
não conta história como os trincos
- trincos que são brincos da alma.
DANILO ZAMAI - 18/08/2009
Primeiro poema finalizado da série "Casa dos Espelhos".
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Os fins e os meios
Agora que voltei a frenquentar a escola por conta dos estágios da faculdade, o assunto da vez é a H1N1, mas popularmente chamada de gripe suína. Ao invés de ficar alarmado com o quadro, jovem pós-moderno que sou, preferi procurar oportunidades financeiras com o surgimento da nova doença, e não há mercado mais lucrativo que o mercado bélico.
Como muitos sabem, é uma prática comum insurgentes de facções islâmicas se utilizarem de homens-bombas para atacarem alvos como embaixadas americanas, aglomerações de judeus, etc. Mas é sempre uma dor quando a família desses soldados os veem deixarem suas casas com o uniforme de trabalho, pois o retorno é impraticável; sem contar que a perda de um soldado é sempre ruim para qualquer exército.
Pensando nisso, resolvi declarar que a prática suicida ficou obsoleta; sai de cena o homem-bomba ultrapassado, entra em cena o homem-bomba-biológica! Um soldado portator do vírus H1N1, sozinho, que pode atingir muito mais alvos e passar despercebido por tropas inimigas; ele se beneficia da infraestrutura destruída de países do Oriente Médio; conta com o elemento surpreza: pois a última coisa que um judeu vai pensar na sua vida é chegar perto de um porco (os judeus encaram o porco como um animal impuro), assim o muçulmano pode infiltrar-se no meio da população judia e disseminar a doença.
Como vocês podem perceber, os tempos são de crise apenas para aqueles que não enxergam as vantagens, para quem não explora as oportunidades. Sugiro ao presidente Lula, líder de um país emergente e que espera prosperar dentro do cenário mundial, não deixar de aproveitar esta chance de entrar para a indústria bélica. Os protótipos poderão ser facilmente encontrados em salas de aula abafadas, com mais de quarenta alunos cada, das escolas brasileiras - o que também ajuda a diminuir os gastos com educação, que é um peso ao país.
A foto de ilustração é de outro blog - acho que dá pra perceber:
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